Mais de 7 mil agricultores de Minas Gerais protestam contra importações de leite e exigem apoio do Governo Federal.

No último dia 18 de março, mais de 7.000 produtores rurais de todas as regiões de Minas Gerais se uniram em uma manifestação histórica no Expominas, em Belo Horizonte. O evento, intitulado Manifestação Minas Grita pelo Leite, foi liderado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e recebeu amplo apoio de organizações como a CNA, sindicatos rurais, cooperativas e mais de 80 autoridades dos poderes Executivo e Legislativo.

Os participantes deste movimento pacífico reivindicaram medidas urgentes para enfrentar os desafios enfrentados pelos produtores de leite em Minas Gerais e em todo o Brasil. Entre as principais demandas apresentadas estão o fim das importações de leite em pó, a renegociação das dívidas dos produtores, um financiamento mais prolongado com períodos de carência, a inclusão do leite nos programas de governo e uma fiscalização mais efetiva em relação ao decreto 11.732, que entrou em vigor em fevereiro.

A importância econômica da pecuária leiteira não pode ser subestimada. Presente em 99% dos municípios mineiros, essa atividade gera emprego e renda para milhares de famílias em todo o estado. Apenas em Minas Gerais, são 216 mil fazendas, a maioria delas de pequeno e médio porte, além de mais de mil indústrias de laticínios. No âmbito nacional, o Brasil produz formalmente 24 bilhões de litros de leite por ano, com Minas Gerais contribuindo com 27% desse volume.

Entretanto, o setor enfrenta sérios desafios, especialmente devido às importações desenfreadas de leite em pó, principalmente dos países do Mercosul, como Argentina e Uruguai. Em 2023, as importações desse produto atingiram a marca de 2,2 bilhões de litros, representando um aumento alarmante de 68,8% em comparação com o ano anterior.

O movimento Minas Grita pelo Leite destaca o risco iminente de desabastecimento do mercado interno e o consequente aumento nos preços do leite para os consumidores finais. Além disso, ressalta os prejuízos severos que essas importações causam aos produtores locais, cujos custos de produção muitas vezes não conseguem competir com os preços subsidiados do leite importado.

Diante desse cenário, as reivindicações do setor leiteiro são claras: é necessário tomar medidas imediatas para conter as importações subsidiadas de leite em pó da Argentina e de outros países do Mercosul, além de implementar um plano nacional de renegociação das dívidas dos produtores e garantir a inclusão permanente do leite nos programas sociais do governo federal. Além disso, é fundamental ampliar a fiscalização em relação ao decreto 11.732/2023, visando proteger os interesses dos produtores brasileiros e garantir a sustentabilidade da pecuária leiteira no país.

Em suma, o movimento Minas Grita pelo Leite representa não apenas os interesses dos produtores de leite de Minas Gerais, mas também de todo o setor leiteiro brasileiro. É hora de o governo federal ouvir as demandas legítimas desses trabalhadores rurais e agir em prol de uma agricultura mais justa e sustentável para todos.

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